O toque suave das pontas dos dedos, o arrepio que apenas o contato com o seu corpo me provoca. E fico tentando ler os teus pensamentos. Meu desejo mais profundo nesses momentos não é que você aprofunde os toques, mas que eu consiga penetrar nas suas lembranças.
Não é apenas a necessidade de saber se lembra de tudo o que eu lembro, nem a curiosidade para descobrir qual importância você dá a cada uma dessas memórias. É algo pior, sujo e inevitável: Ciúmes. Quero saber de todas as outras garotas, quero detalhes e comparações. E sei que é isso que mais anseio, só não sei bem o porquê.
Fico imaginando se é uma necessidade de tortura, ou será que desejo apenas me descobrir a única?
Odeio essa desilusão, mas odeio mais ainda ter ilusões. Sinto-me fraca e vulnerável, e culpo então o amor e sua conseqüência imediata: a cegueira.
Esqueço meus pensamentos pela necessidade do momento, perder-me em seus lábios. Um toque ainda mais devastador. Minha consciência já foi amarrada e amordaçada em algum lugar dentro de mim. Nada mais me incomoda, nada mais me ocorre que não sejam suas mãos no meu corpo, seus lábios me provando.
E, então, a plenitude de ser completamente sua, com você dentro de mim.
Mas, eventualmente, você vai embora.
E me deixa. Nua, sozinha, sem amor.
Cabeça no travesseiro, pesando muito, doendo. Minha consciência se liberta, acho que cortou as cordas com sua língua afiada. E, sem aviso, começa a falar.
Não sobrou mais nada. Apenas condenação e culpa.
Onde estarão seus pensamentos agora?

a culpa da vida ser assim, a culpa da gente ser assim,
a culpa da falta de amor, a culpa da falta de culpa,
a culpada.
Adorei…!
Vou virar leitor disso aqui!
Onde estão seus pensamentos agora?