Prefiro correr de olhos fechados. É que há um certo desespero em te olhar de frente. Seus olhos sempre me dizem o que eu não quero ouvir, desse jeito sufocante.Quando foi que as palavras tornaram-se tão superficiais entre nós? Quando foi que elas perderam o sentido e passamos a usar frases, não porque precisávamos delas, mas por que precisávamos de suas entrelinhas.
Que mal maior reinou sobre nós? Que desamor?Acabou! Eu sei, você sabe, mas ainda há um desespero por fingir. É que começar tudo de novo significa deixar o coração vazio por um tempo, os sonhos desabitados, os pensamentos sem protagonista.Há um certo desespero no meu reflexo em seu olhar, e eu lembrava apenas do brilho…Era tudo isso paixão? Quando acabou?Por que é tão difícil aceitar, seguir em frente, desabitar o coração móvel por móvel, levar as músicas, os cheiros, os lugares, tudo embora? Deixá-lo vazio, mudar a cor das paredes, tirar a poeira das janelas, e então (por que não?) começar tudo outra vez.
Uma cama, um sofá, fotografias, o cheiro de café fresco, acordes de um violão, o toque molhado do chuveiro… E então, quando é que vou precisar fazer tudo de novo?

“Distraído, abstraído, traído, ido…”
que delicado esse texto
^^
muito bonito mesmo.
encaixou taoo bem na minha vida,
to começando a achar que as coisas mudam da maneira mais sutil q possa existir, q pra qndo a gnt perceber, ja
nao restar nem caminho pra voltar.
=*